Newsletter Semanal do Sistema FIESC  |  nº 274  |  18.07 até 25.07.2012  |  FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Reforço no ensino básico é sério, grave e urgente


Professor da USP, José Pastore, durante palestra na FIESC (Foto: Marcus Quint)
O Brasil precisa de formação em todos os níveis. No entanto, não há como avançar se a base, que é o ensino fundamental, não for boa. Então, um reforço no ensino fundamental é sério, é grave e urgente, inclusive para aqueles que já cursaram a educação básica, mas, infelizmente, não tiveram bom proveito. A visão é do pesquisador da USP, José Pastore, que participou de painel sobre educação no primeiro dia da Jornada pela Inovação e Competitividade, promovida pelo Sistema FIESC, nesta segunda-feira (16).

Diante de uma plateia de 400 pessoas, o especialista disse que há vários fatores que atrasam o avanço desse nível de educação no Brasil, como as condições econômicas dos alunos e a fragilidade das escolas, mas o principal problema é carência de professores bem formados. "No Brasil, o que mais falta hoje é professor de matemática e de física. É difícil encontrar professores nesse campo que sejam adequadamente treinados para lecionar essas matérias. Esse é um grande problema", disse ele, destacando que isso se reflete diretamente na produtividade do trabalho, que conta muito para a produtividade geral da indústria. Outros fatores também influenciam como equipamentos, energia, automação e gestão, mas o trabalhador, que opera a máquina, é fundamental para o aumento da eficiência.

A exemplo de países como a Finlândia, Coreia do Sul e Cingapura, o Brasil deveria implementar um programa sério de educação, que leva em conta não uma eleição, mas um sistema que possa varar as gerações, disse Pastore, que é uma das maiores autoridades brasileiras em mercado de trabalho. Esses países, com os quais o Brasil disputa espaço no mercado internacional, estão acelerando muito o processo educacional em todos os níveis e estão colhendo bons resultados.

Segundo o professor, sempre que se fala em melhorar a qualidade do ensino surge o argumento de que qualidade não casa com quantidade. "Não é verdade. Em países colossais como a China, que investe na educação básica e no ensino médio, os avanços são perceptíveis a ponto de os empresários dispensarem os investimentos próprios, pois a educação pública dá conta", afirmou.

Ressaltando a importância da iniciativa da indústria brasileira em qualificar a força de trabalho com recursos próprios, Pastore disse que a produção moderna está baseada em elementos intangíveis, ou seja, usando mais as ideias e menos na força física. "A educação de boa qualidade tornou-se peça fundamental para a produção industrial. Nos tempos atuais, a capacidade de pensar é crucial. O mercado busca profissionais com bom senso, lógica de raciocínio, capacidade de se comunicar, de escrever, de trabalhar em grupo. São competências que vêm com o ensino básico", disse.  

Durante o encontro, que reuniu representantes 165 indústrias e mais de 20 sindicatos do setor, o presidente do Sistema FIESC, Glauco José Côrte, afirmou que a educação é um dos fatores críticos para a competitividade industrial. "O crescimento do Brasil depende da oferta de recursos produtivos e dos ganhos de produtividade. Os países que crescem mais rapidamente são aqueles que têm capital humano qualificado, por isso, elegemos a educação como uma das prioridades na FIESC. Novas tecnologias precisam de trabalhadores qualificados", disse ele, destacando que a educação básica é aquela que dá sustentação e é a base da formação dos recursos humanos. "Sem educação de qualidade continuaremos com insuficiência de trabalhador qualificado para atender as atividades econômicas", salientou Côrte.

Apenas 30% da população do Brasil tem ensino médio completo. Nos Estado Unidos, esse número chega a 90% e na Alemanha 80%. Atualmente, metade dos trabalhadores da indústria de Santa Catarina não tem a educação básica completa, o que corresponde a quase 400 mil pessoas.

No Brasil, a média de tempo de estudo da população adulta é de 7,2 anos, o que significa ensino fundamental incompleto. No conjunto dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil só ganha da Índia quanto à escolaridade de sua população.

Até 2014, a meta do Sistema FIESC é triplicar o número de matrículas de jovens e adultos. Para isso serão investidos R$ 100 milhões em programas na área, além de saúde e segurança do trabalhador.

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Institucional:Elmar Meurer

Edição:Filipe Scotti e Dâmi Radin

Reportagem:Dâmi Radin, Elida Ruivo, Ivonei
Fazzioni e Gabrielle Bittelbrun