Newsletter Semanal da FIESC  |  nº 342  |  27.11 até 04.12.2013  |  FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Indústrias estão preocupadas com a sustentabilidade


Professor da UFSC Blênio Cezar Severo Peixe, durante apresentação da pesquisa (Foto: Heraldo Carnieri)
Pesquisa realizada com 276 indústrias de Santa Catarina mostra que 98% delas estão preocupadas com a sustentabilidade nas perspectivas econômica, ambiental e social. O levantamento, realizado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) em conjunto com a UFSC e a Udesc, foi apresentado na quarta-feira (20), durante o seminário tecnologia e sustentabilidade, realizado em Florianópolis, em parceria com a Acate. O levantamento integra o Plano de Sustentabilidade para a Competitividade da Indústria Catarinense, inciativa da FIESC.

No grupo pesquisado, 56,5% das companhias afirmam que a política ambiental está contemplada no planejamento estratégico ou está sendo formalizada; 16,3% estão implantando a prática; 14,5% pretendem considerar a questão ambiental no planejamento e 12,7% não realizam ações nesse sentido.

O estudo relevou ainda que 35,5% das empresas ouvidas reaproveitam de 71% até 99% dos resíduos sólidos; 14,1% reutilizam de 11% até 30% e 11,2% reaproveitam de 31 até 50% dos resíduos enquanto 5% reutilizam 100%. O levantamento também mostrou que 31,9% das indústrias têm projetos para reduzir o consumo de energia; 29,4% têm ações para diminuir o consumo de água; 26,7% têm iniciativas para reduzir o consumo de matéria-prima e 11,9% delas não têm projetos nesse sentido.

Um dos autores da pesquisa, o professor da UFSC Blênio Cezar Severo Peixe disse que no levantamento ficou muito claro que as empresas, de maneira geral, estão preocupadas e procurando inovar, buscando a competitividade. "O mercado é global e exige que as empresas busquem adequação a determinadas orientações e princípios nos aspectos ambientais, além de considerar a questão cultural, social e econômica para ter sustentabilidade nos negócios. O consumidor é o principal ativo de uma empresa. Se não houver consumo, não tem empresa com rentabilidade", ressaltou.

Quando perguntadas se na definição dos objetivos e metas a organização leva em consideração a opinião dos públicos de relacionamento, 38,8% disseram que esta prática está formalizada, 23,9% que a ação está em processo de formalização e 21% estão iniciando a implantação dessa prática ou pretendem realizá-la. As demais não têm iniciativas nesse sentido. 

Em sua apresentação, a consultora do SESI/SC Simone Faustine afirmou que o ciclo de produção e consumo é o desafio do desenvolvimento sustentável. "Se pensarmos em tecnologia e novos processos produtivos e produtos sustentáveis, a indústria tem avançado muito embora tenha recebido menos incentivo do governo. Se pararmos para avaliar a relação entre incentivos e políticas voltadas à questão da inovação tecnológica e o quanto as empresas têm inovado neste sentido, elas estão à frente", disse.

O levantamento também mostrou que 25,7% das indústrias têm seus produtos ajustados à produção limpa, sistema que se preocupa com todo o ciclo do produto; 37,3% estão formalizando esta prática e 17,7% estão iniciando a implantação desta prática ou pretendem formalizá-la, 11,2% realizam alguma prática nesse sentido.

Quanto à divulgação das ações de sustentabilidade, 56,2% das empresas disseram que não divulgam relatório de ações, 16,7% apresentam as iniciativas por meio do balanço social, 10,9% comunicam suas ações por meio do Global Reporting Ineciative (GRI), metodologia de referência mundial na elaboração de relatórios de sustentabilidade. As demais indústrias divulgam suas ações nos relatórios de responsabilidade social ou ambiental ou por outros meios.

Participaram do estudo empresas dos complexos agroindustrial, elétrico e metalúrgico, têxtil, mineral, florestal, tecnológico, químico, construção civil e energético.

Plano: no encontro, a Federação apresentou as principais ações previstas no Plano de Sustentabilidade, que é formado por 16 áreas de atuação e tem mais de 60 ações concretas em áreas como energias renováveis; eficiência energética; mudanças climáticas; produção mais limpa e recursos hídricos. No âmbito do Plano já foram realizado seminários regionais, estudo sobre cabotagem como alternativa para a melhoria da mobilidade, cursos de capacitação em inventário corporativo de gases de efeito estufa; levantamento e monitoramento das obras relacionadas com a mitigação dos efeitos e contenção das enchentes em Santa Catarina e contribuições ao documento da CNI sobre o marco legal do licenciamento ambiental em âmbito nacional.

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Edição:Filipe Scotti e Dâmi Radin

Reportagem:Dâmi Radin, Elida Ruivo, Ivonei
Fazzioni e Gabrielle Bittelbrun