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CNI diz que Brasil não é protecionista e pede o fim da bitributação aos alemães

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Publicado em: 14/05/2013
CNI diz que Brasil não é protecionista e pede o fim da bitributação aos alemães
Encontro Econômico Brasil-Alemanha realizado nesta segunda-feira (13), em São Paulo (foto: José Paulo Lacerda/CNI)

São Paulo, 13.5.2013 - Durante o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, afirmou que o "Brasil não é protecionista" e que a "Alemanha pode ser mais protecionista do que o Brasil". A declaração recebeu o apoio do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Fernando Pimentel. "O Brasil sabe do seu potencial e de sua responsabilidade. Não somos nem poderíamos ser protecionistas. Seria um tiro no próprio pé", disse o ministro. O encontro é promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela congênere germânica BDI e pela FIESP, em São Paulo. O presidente do Sistema FIESC, Glauco José Côrte, participou do encontro nesta segunda-feira (13). Ele destacou que as empresas de menor porte precisam ser fortalecidas para se inserirem no mercado internacional. 

"Nós vamos intensificar o apoio à internacionalização das pequenas e médias empresas. Elas são a bola da vez e a Alemanha tem experiência nessa área, onde esse grupo tem ativa participação no mercado internacional", disse Côrte, que articulou com a CNI a realização da edição 2015 do Encontro Econômico Brasil Alemanha em Joinville.

Segundo Andrade, da CNI, o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros em inovação e infraestrutura, entre outros. O presidente da CNI lembrou que o déficit na balança comercial brasileira, de quase US$ 6 bilhões nos primeiro trimestre de 2013, também mostra que o país tem importado máquinas e equipamentos e, portanto, está aberto ao comércio internacional. "O Brasil é um país de oportunidades. Hoje somos uma grande oportunidade de investimentos para todos os países, em energias renováveis, infraestrutura de transportes, de logística, petróleo e gás, além de defesa e saúde", enumerou.

ACORDOS COMERCIAIS - O presidente da CNI garantiu ainda que o governo brasileiro tem o apoio da indústria nacional para firmar acordos de livre-comércio. "A CNI tem abraçado a assinatura de tratados de livre-comércio. Temos mostrado ao governo exemplos de países que conseguiram aumentar suas exportações", destacou.

A única ressalva é sobre a forma como os acordos serão produzidos. Robson Braga de Andrade afirmou que o Brasil não pode simplesmente trocar o mercado de produtos manufaturados para exportar mais commodities agrícolas para o mercado europeu. "Sem uma indústria forte não seremos nem a quarta, nem a quinta nem a sexta economia do mundo", afirmou.

O presidente do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), Ingo Plöger, vê com preocupação dois acordos de livre-comércio que estão sendo construídos, um deles no "quintal" brasileiro. O primeiro é a Aliança para o Pacífico, uma parceria entre Chile, Colômbia, Peru e México. O segundo é o acordo entre Estados Unidos e União Europeia, em gestação.

Plöger diz que norte-americanos e europeus sentaram para discutir normas fitossanitárias e as barreiras de saúde. "Quem discute normas, discute barreiras não-tarifárias", lembrou. A preocupação é válida porque o principal entrave entre o comércio dos Estados Unidos e da União Europeia são as barreiras não-tarifárias. Além disso, essas negociações poderiam beneficiar os parceiros brasileiros e desviar mercados do Brasil.

O ministro do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, garantiu que no segundo semestre o Mercosul fará uma oferta à União Europeia rumo ao acordo comercial. "Vejo com otimismo", garantiu.

BITRIBUTAÇÃO - Robson Andrade afirmou que o acordo de bitributação entre Brasil e Alemanha é extremamente importante. "Temos trabalhado para que volte a acontecer", lembrou o presidente da CNI. Ele contou que em 2012, durante sua visita à Alemanha, o governo germânico ficou de mandar uma missão alemã ao Brasil, mas que os técnicos não vieram.

Segundo a secretária de Estado do Ministério da Economia e Tecnologia da Alemanha, Anne Ruth Herkes, o acordo de bitributação não é simples. "Precisamos de boa vontade. É um salto para dentro da água fria. Desejamos o acordo de bitributação, mas temos que ter paciência", disse Herkes.

COMPETITIVIDADE - Investir pesada e estrategicamente em infraestrutura, nos próximos anos, é um dos principais meios de o Brasil ganhar mais competitividade internacional. Essa foi a conclusão de especialistas brasileiros e alemães durante o painel "Competitividade, um fator-chave para o crescimento", realizado no Encontro.

Tanto para brasileiros quanto para alemães, são várias as frentes em que o país precisa caminhar mais celeremente para resolver os problemas da falta de competitividade, como educação, burocracia, investimento, custo do financiamento, inovação e carga tributária. Mas, na opinião dos especialistas, a infraestrutura é hoje o principal entrave a um maior crescimento econômico do país, uma vez que encarece demais os custos finais dos produtos, em especial dos que saem do campo e das fábricas a preços competitivos.

"O que falta ao Brasil é estratégia. Precisamos ter um planejamento cuidadoso dos investimentos que serão feitos, para maximizar os resultados. Do contrário, investiremos muitos recursos onde não haverá retorno", disse Roberto Rodrigues, membro do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL) e ex-ministro da Agricultura.

Para David Kupfer, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de serem estratégicos, os investimentos em infraestrutura terão de ser massivos. "O déficit no setor não pode ser somente resgatado. Temos de pensar adiante e avaliar onde poderemos construir vantagens competitivas. Não apenas igualar condições com os concorrentes", ressaltou.

De acordo com José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp, o Brasil pode, e deve, ter mais ambição, principalmente no setor de infraestrutura. "O país tem de pensar que pode mais e melhor, de que pode crescer mais rapidamente. Para isso, precisamos investir com inteligência", disse.


*Com informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

 




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